O líder do Partido Progressista (PP), Aguinaldo Ribeiro (PB), pediu ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, para acelerar as obras do Projeto de Integração do Rio São Francisco.
O ministro disse que seis mil homens foram escalados para construir os dois canais que levarão água do rio para as áreas mais carentes do agreste e dos sertões do Ceará, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte.
Os eixos das obras de integração da bacia são: o Eixo Leste, que integrará o lago da Barragem de Itaparica, no rio São Francisco, com os rios Paraíba (PB) e Ipojuca (PE), beneficiando regiões populosas e com baixa disponibilidade hídrica; e o Eixo Norte, que sairá do rio São Francisco, próximo à cidade de Cabrobó (PE), e levará água até as bacias dos rios Jaguaribe (CE), Piranhas-Açu (PB/RN) e Apodi (RN).
A população residente na área beneficiada pelos dois eixos da transposição é de 12 milhões de habitantes, sendo cerca de 5,5 milhões no Eixo Norte e 3,5 milhões no Eixo Leste. O total representa 30% da população do Polígono das Secas, sendo 50% maior que a população residente na bacia do São Francisco dentro do Polígono.
O projeto mantém o curso do Rio São Francisco, as condições hídricas e ambientais ribeirinhas. Apenas 1% da água que o rio joga no mar será captada para garantir o consumo humano e animal na região do semi-árido nordestino. Os técnicos do Ministério da Integração Nacional envolvidos no projeto garantem que a obra não acarretará nenhum problema ambiental para o São Francisco ou para qualquer atividade econômica desenvolvida ao longo dos 2.700 quilômetros de extensão. Segundo eles, a quantidade de água a ser retirada é muito pequena.
Desigualdade – A distribuição das fontes de água no país é desigual. Enquanto a Amazônia, com cerca de 10% da população brasileira, detém 70% da disponibilidade da água doce do país, o Nordeste, com 30% da população nacional, dispõe de apenas 3% de toda a água doce do Brasil. No Nordeste, a bacia do São Francisco concentra 63% da disponibilidade de água da região nordestina, sendo que 95% de sua vazão vão para o mar. A bacia do rio Parnaíba (Piauí/Maranhão) detém 15% da água disponível no Nordeste. Portanto, essas duas bacias totalizam 78% das disponibilidades de água da região.
Por sua vez, as bacias dos rios intermitentes nordestinos detêm apenas 22% da água disponível, concentradas em alguns açudes estratégicos de grande porte e em aqüíferos profundos próximos à Zona Costeira. Em compensação, 2/3 da população residente estimada para 2025 vivem justamente nessas bacias deficitárias. Essa concentração de população em uma área com pouca água cria sérios problemas econômicos e sociais. A disponibilidade hídrica per capita é inferior ao índice crítico de 1.000 m³/hab/ano, indicado pelas Nações Unidas como o mínimo para garantir a vida humana e a preservação ambiental. As Nações Unidas recomendam um consumo de no mínimo 1.000 m³ por habitante/ano, aí considerando a água não só para beber, mas para todos os usos sociais e econômicos que podem proporcionar uma vida digna ao homem.
Só para produzir uma tonelada de alimentos são necessários, em média, 1.000 m³ de água. Atualmente, milhões de pessoas no semi-árido Nordestino sobrevivem com quantidade bem menor de água, o que impede o desenvolvimento normal das atividades econômicas. Por essa razão, o semi-árido nordestino é uma das regiões mais pobres do Brasil e do mundo. Estima-se que cerca de 17,5 milhões de nordestinos vão ter 500 metros cúbicos ao ano – ou menos – à sua disposição, nos próximos 20 anos. Isso é menos da metade do mínimo recomendado pela ONU.
A obra de Integração do Rio São Francisco com as Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional tem custo estimado em cerca de R$ 4,5 bilhões. Equivale ao custo de algumas hidrelétricas e gasodutos já construídos e/ou previstos no país. O Ministério da Integração Nacional prevê que a primeira etapa das obras deverá estar concluída dois anos após o seu início.
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