Esse foi o tema escolhido pela Associação Campinense de Escolas de Samba e Troças Carnavalescas, para o Carnaval 2012, que poderíamos nominá-lo de “o grito da resistência”.
Em virtude da falta de uma política cultural para fomentar o carnaval de Campina Grande, que sempre existiu, desde a década de 40 na Maciel Pinheiro com os famosos desfiles de corsos, antigos carros abertos recheados de pessoas fantasiadas (a elite burguesa) e o público interagindo jogando confetes e serpentinas.
Na década de 60, os famosos bailes nos clubes, hoje, essa historia precisa ser recontada, e a Secretaria de Cultura do Município bem que poderia resgatar essa memória. Mas o que temos assistido desde a década de 90, e o aniquilamento de uma tradição. Não existiu por parte dos gestores públicos o inventivo ao carnaval. Podemos ressaltar o carnaval de 1986, quando o desfile ainda acontecia na Sebastião Donato, ao lado do parque do Povo, pelo qual, o primeiro transformista Campinense Carlota, era a grande vedete, contagiava o publico, a grande Estrela da Escola de Samba Unidos da Liberdade. Que faleceu este mês, mês do Carnaval, pelo qual pretendia desfilar e já contava com sua fantasia pronta para o grande dia, a maior alegria de sua vida, o carnaval.
Mas, toda falta de incentivo ao Carnaval de Campina Grande foi em virtude de uma justificativa equivocada, achar que todos deixavam a cidade rumo a João Pessoa e Olinda, e que a cidade se transformava em um grande cenário de fantasmas. Era preciso ocupar a cidade com o grito hegemônico da Paz religiosa, enquanto as pessoas brincavam o carnaval, outras ocupam a cidade para orar pelos “pervertidos, os sem-fé, os que cultuam a arte do demônio”, o Carnaval, o estigma de um preconceito.
Porém, a resistência do carnaval de Campina Grande, se deu com a iniciativa da Rádio Panorâmica FM, que com o apoio de Dr. Damião fez o primeiro “carnaval dos que ficaram”. As pessoas se aglomeravam na Rua João Pessoa e o Carnaval não foi tragado pelo grande encontro ecumênico: a Nova Consciência. Hoje, acontece às Margens do Açude Velho, sob a Coordenação da Associação Campinense de Escolas de Samba e Troças Carnavalescas, que desconhecemos os valores destinados pela Prefeitura para o evento. Mas, a organização do evento dar prova inconteste que o mesmo precisa se profissionalizar, pois gera recurso e atração cultural para todos.
A atitude política em relação ao carnaval merece aqui uma observação. Quem abriu o desfile no primeiro dia de carnaval foi o Rei e a Rainha, quem não teve palco e nem recebeu a chave da cidade para a grande folia, pois não existiu político algum para cumprir o gesto, o Rei sumiu depois do desfile, com destino ignorado. Até mesmo a Representante da Secretaria de Cultura do Município, que outrora desfilava no bloco da tradição e do resgate de uma cultura carnavalesca, hoje, como representante política, também sumiu, parece até que Zé Neto foi o grande escolhido para representar o não oficial.
Ficou provado no primeiro dia de carnaval que o mesmo não irá morrer, pois o povo foi em massa para ver as Ala-ursas e o desfile dos bonecos, que encantaram principalmente as crianças. Logo, o povo, independentemente da presença política se fez presente, aplaudiu, e as crianças, as grandes estrelas dessa noite. Onde foram julgadas por uma comissão composta por artistas plásticos, ativistas culturais, professor de arte e dançarinos, que fazemos questão de registrar os nomes: José Carlos, João Batista, Marcus Vinícius, Emmanuel Araújo, Gilson Nunes, Jhaeymeson Hugo, Fernando Cardoso, Emerson Charles, Fernanda Tavares, Djalma dos Santos e Flaviano Cavalcante, este último, Presidente da Comissão Julgadora.
por Gilson Nunes
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