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Percorrendo os Estados nordestinos você irá surpreender-se com as
diversidades, com a pluralidade de culturas, a infinidade de manifestações
presentes nas artes plásticas, arquitetura, na pintura, nas danças e festas
típicas e em tantos outros eventos. 
A nossa cultura é rica e múltipla. Retrata, notadamente, a forte da presença
dos mais diversos povos europeus, africanos e de outras partes do mundo. O
Nordeste é um mundo novo. Ao passar por casarões, praças, teatros e
avenidas, ao assistir às festas populares e manifestações folclóricas, ao
observar as mais diversas formas de
artesanato, a cultura mostra sua força e harmonia.
Desfrute desse nosso mundo! Divirta-se!
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Artesanato
:
Festas
:
Festival
de Inverno
O Maior
São João do Mundo
São João e
suas Músicas :
Violeiros
:
Nau
Catarineta
Nomes da
música
:
Dança do
Camaleão :
Bacamarteiros
Banda de
Pífanos :
Fazenda
Santa Roza :
Sítio São
João
Cordel :
Pastoril
:
Serra da
Borborema :
Tropeiros
da Borborema
Teatro : Museu
de João Pessoa :
Comidas Típicas
Museu
Histórico :
Fotografia
:
Literatura :
Artes
Plásticas
Cineastas
:
Sociedade :
Quadrilhas
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As
Festas Juninas
A tradição
Rita Amaral
Três santos são efusiva e intensamente comemorados
em junho, em todo o Brasil, desde o período colonial: Santo Antônio,
São João e São Pedro. No Nordeste brasileiro principalmente, estes
santos são reverenciados e pode-se dizer que a importância destas
festas, para as populações nortista e nordestina, e que elas são,
historicamente, o evento festivo mais importante destas regiões, tanto
cultural como politicamente.
Acredita-se que estas festas têm origens no século XII, na região da França,
com a celebração dos solstícios de verão (dia mais longo do ano, 22 ou 23 de
junho), vésperas do início das colheitas. No hemisfério sul, na mesma época,
acontece o solstício de inverno (noite mais longa do ano). Como aconteceu
com outras festas de origem pagã, estas também foram adquirindo um sentido
religioso introduzido pelo cristianismo, trazido pela igreja católica ao
Novo Mundo.A comemoração das festas juninas é certamente herança portuguesa
no Brasil, acrescida ainda dos costumes franceses que a elas se mesclaram na
Europa.
O ciclo
das festas juninas gira em torno de três datas principais: 13 de junho,
festa de Santo Antônio; 24 de junho, São João e 29 de junho, São Pedro.
Durante este período, o país fica praticamente tomado por festas. De norte a
sul do Brasil comemoram-se os santos juninos, com fogueiras e comidas
típicas.
É
interessante notar que não apenas o dia, propriamente dito, mas todo o mês,
é considerado como tempo consagrado a estes santos na região e,
principalmente, as vésperas , que é quando se realizam os
sortilégios e simpatias, a parte mágica da festa típica do catolicismo
popular. Inúmeras adivinhações a respeito dos amores e do futuro (com quem
se vai casar, se se é amado ou amada, quantos filhos se vai ter, se se vai
morrer jovem ou ganhar dinheiro etc.) são feitas nas vésperas do dia dos
santos, em geral de madrugada.
A
primeira das festas do ciclo junino é a de Santo Antônio. A véspera deste
dia, significativamente, foi escolhida oficialmente como Dia dos Namorados,
no Brasil.
O culto
de Santo Antônio é, como o de São João, herança portuguesa. Sendo um santo
português, nascido em Lisboa, era também um dos mais populares e cultuados
tanto em Portugal quanto no Brasil-Colônia. Segundo os portugueses, a ação
de Santo Antônio era fundamental na guerra e seu nome funcionava como arma
contra perigos imbatíveis.
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O Maior
São João do Mundo em
Campina Grande
Cidade cenográfica
(foto PMCG) |
No Brasil seu papel de militar foi importante, também, dadas as inúmeras
guerras e revoltas durante as quais era invocado. E tanto fez ao lado das
forças armadas brasileiras que recebeu patente e mesmo soldo em várias
companhias do exército brasileiro. Recebeu ainda, por esta razão, o apoio
dos militares, com dinheiro e prestígio, às suas igrejas, obras e festas. É
incontável o número de homenagens a Santo Antônio, igrejas construídas em
seu louvor, nomes de ruas, praças, pessoas etc., na história e geografia
brasileiras.
Atualmente Santo Antônio já não é mais cultuado como militar e sim como
casamenteiro e deparador de coisas perdidas. Cascudo cita um trecho de um
sermão do padre Antônio Vieira no Maranhão, em 1656, em que são relevados os
maravilhosos poderes deste santo na resolução de vários problemas da vida
humana:
Segundo
Gilberto Freire a escassez de portugueses na colônia sublinhou o valor do
casamento ou mesmo da procriação (com ou sem o casamento), o que tornou
populares os santos padroeiros do amor, da fertilidade, das uniões e
instaurou uma grande tolerância para com toda espécie de reunião que
resultasse no aumento da população no Brasil. Estes interesses abafaram não
apenas os preconceitos morais como os escrúpulos católicos de ortodoxia.
Assim, os
grandes santos nacionais tornaram-se, à época, aqueles aos quais a
imaginação popular atribuía milagrosa intervenção capaz de aproximar os
sexos, fecundar mulheres e proteger a maternidade, como Santo Antônio, São
João, São Pedro, o Menino Jesus, N. Sra do Bom Parto etc.. A crença de que
Santo Antônio se “devidamente” invocado, perturbado com pedidos de todo tipo
e até mesmo “torturado”, arranja casamento mesmo para a mais sem graça das
moças é muito difundida, e é esta a qualidade mais prezada do santo durante
as festas juninas. São João também já teve estas funções e também São
Gonçalo (que continua sendo invocado com esta finalidade através de danças,
no interior do Brasil) como mostra Freire:
“Uma
das primeiras festas, meio populares, meio de igreja de que nos falam as
crônicas coloniais do Brasil é a de São João já com fogueiras e danças. Pois
as funções deste popularíssimo santo são afrodisíacas; e ao seu culto se
ligam até praticas e cantigas sensuais. É o santo casamenteiro por
excelência. [...] As sortes que se fazem na noite ou na madrugada de
São João, festejado a foguetes, busca-pés e vivas, visam no Brasil, como em
Portugal, a união dos sexos, o casamento, o amor que se deseja e não se
encontrou ainda. No Brasil faz-se a sorte da clara de ovo dentro do copo de
água; a da espiga de milho que se deixa debaixo do travesseiro, para ver em
sonho quem vem comê-la; a da faca que de noite se enterra até o cabo na
bananeira para de manhã cedo decifrar-se sofregamente a mancha ou a nódoa na
lâmina; a da bacia de água, a das agulhas, a do bochecho. Outros interesses
de amor encontram proteção em Santo Antônio. Por exemplo, as afeições
perdidas. Os noivos, maridos ou amantes desaparecidos. Os amores frios ou
mortos. É um dos santos que mais encontramos associados às práticas de
feitiçaria afrodisíaca no Brasil. É a imagem desse santo que freqüentemente
se pendura de cabeça para baixo dentro da cacimba ou do poço para que atenda
às promessas o mais breve possível. Os mais impacientes colocam-na dentro de
urinóis velhos. São Gonçalo do Amarante presta-se a sem cerimônias ainda
maiores. Ao seu culto é que se acham ligadas as práticas mais livres e
sensuais. Atribuem-lhe a especialidade de arrumar marido ou amante para as
velhas, como São Pedro a de casar as viúvas. Mas quase todos os amorosos
recorrem a São Gonçalo”. (Freire,
1995: 246).
As danças
de São Gonçalo, conhecidas como “são gonçalinho”, visam propiciar o
casamento, do mesmo modo que as simpatias com a imagem de Santo Antônio, que
são até hoje populares no interior do nordeste brasileiro (Dantas);
Martins; Queiróz). A festa de São Gonçalo descrita por La Barbinais no XVIII
e citada por Gilberto Freire, mostra características de orgias rituais e
lembra mesmo os festivais pagãos. Uma festa de amor e fecundidade:
“Danças
desenvolvidas ao redor da imagem do santo. Danças em que o viajante viu
tomar parte o próprio vice-rei, homem já de idade, cercado de frades,
fidalgos, negros. E de todas as marafonas da Bahia. Uma promiscuidade ainda
hoje característica das nossas festas de igreja. Violas tocando. Gente
cantando. Barracas. Muita comida. Exaltação sexual. Todo esse desadoro - por
três dias e no meio da mata. De vez em quando, hinos sacros. Uma imagem do
santo tirada do altar andou de mão em mão, jogada como uma peteca de um lado
para o outro. Exatamente - notou La Barbinais - ‘o que outrora faziam os
pagãos num sacrifício especial anualmente oferecido a Hércules, cerimônia na
qual fustigavam e cobriam de injúrias a imagem do semideus’” (Freire)
Para
Freire, estes são sinais de uma festa já influenciada, na Bahia, por
elementos orgiásticos africanos que teriam sido absorvidos no Brasil. Mas o
“resíduo pagão” teria mesmo sido trazido pelos portugueses, com seus
“cristianismo lírico”, suas festas de procissões alegres em que apareciam,
como já vimos, tanto Nossa Senhora fugindo para o Egito, como Mercúrio, os
Ventos, os Continentes (deuses gregos e romanos), o Menino Deus, ninfas,
anjos, sátiros, patriarcas, reis, imperadores etc..
Freire
também observa, portanto, a capacidade das festas de estabelecerem, através
do desregramento possível, ou da inserção nela de múltiplas regras, a
mediação entre as culturas e movê-las em direção ao objetivo comum de
construção da sociedade brasileira. E neste sentido, tanto a festa de São
Gonçalo, como as juninas e outras parecem ter desempenhado papel
preponderante. No nordeste, contudo, as festas juninas prevalecem como as
mais atrativas e de maior investimento popular.
Atualmente comemora-se Santo Antônio do mesmo modo que se comemora São
João e São Pedro embora as intenções das festas sejam diferentes. E
apesar da religiosidade envolvida, a maior atração, que faz com que
todos se reúnam (mesmo os não-católicos) para comemorar as festas
juninas são, de fato, as fogueiras, batatas-doces assadas, canjica,
quentão, milho verde assado, pipocas, quadrilhas, bumbas-meu-boi,
simpatias, fogos de artifício, bombinhas e brincadeiras, enfim, toda a
alegria que envolve estas festas. Talvez porque no Nordeste, ainda se
mantêm rígidos padrões de comportamento, quebrados temporariamente
durante as festas juninas quando, “salvo chuva e salvo engano, a
satisfação é geral."
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