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                                                Sítio São João
Uma fascinante viagem ao universo rural do Nordeste atrai turistas e encanta

O Sítio São João, reduto da parte mais tradicional e original das festas juninas em Campina Grande, mudou de local em 2006, porém com sucesso triplicado, situando-se ao lado do Teatro Municipal Severino Cabral. O projeto de autoria do ativista cultural João Dantas.

Montado em uma área ao lado do teatro, o sítio trouxe mais atrações para deleite dos visitantes que admiram e cultuam a vida e cultura nordestina. São mais de dez construções que em si transportam o visitante a determinadas épocas do passado. Segundo o coordenador e criador do projeto, João Dantas, objetos e utensílios em exposição são originais e datam de mais de cem anos.

Na
entrada, dois grandes engenhos puxam a imaginação do visitante para a época colonial onde a cana-de-açúcar era transformada em açúcar e aguardente. Mas não fica só na memória. Logo ao lado a casa de farinha dá continuidade à passagem pelo tempo.

No centro do sítio, o
galpão do Forró da Boladeira é o quartel general dos forrozeiros que abrilhantaram as tardes e noites de festa. Entre as relíquias mostradas, a tipografia original que pertenceu ao cordelista Manuel Camilo dos Santos, é um dos destaques. Num pequeno barraco azul, semelhante a uma capela, serão impressos cordéis em folhetos, para lembrar a importância do poeta para a cultura nordestina.

Lo
go na entrada, um autêntico carro de boi dá as boas vindas. Na pequena sala da casa de taipa, o rádio de válvula anuncia a entrada do Repórter Esso. Pela janela é possível ver o cordelista vendendo a sua arte enquanto a bandinha de pífano anima quem vem chegando para a missa na capela ou para comprar fumo de rolo e beiju na bodega.

No fundo da propriedade, uma animada farinhada divide o som com galinhas e repentistas ao mesmo tempo em que, no terreiro do sítio, simpatias e brincadeiras de adivinhação encantam as moças e provocam risadas da impagável "nega maluca". Estamos na década de vinte ou trinta, num dia qualquer do mês de junho.

“Parafuso de cabo de serrote”

A bodega do Sítio São João, apesar de totalmente integrada ao conjunto, é um capítulo a parte. O que chama a atenção ali é a riqueza de detalhes e a variedade dos produtos. Numa época em que não existe geladeira para conservar os alimentos, tudo é salgado. Peixe seco, carne de charque, lingüiça. Ao
contrário do que se possa imaginar, os produtos da bodega não são réplicas cenográficas. Tudo é de verdade. Arroz de palha, café em caroço, fumo de rolo, manteiga de garrafa, mel d
e abelha, óleo para lubrificar rifle, enfim, tudo aquilo que o homem encontrava num estabelecimento comercial da época.

Até o bodegueiro, figura típica dos vilarejos nordestinos, está lá, perfeitamente ambientado por trás do balcão. Nas prateleiras se vê cachaça de cabeça, os primeiros refrigerantes da época e outras bebidas praticamente impossíveis de serem encontradas hoje no mercado. No chão, frutas, legumes, sacarias. Como a festa é de São João, não poderiam faltar os artigos juninos, como o balão, as bombas e os fogos de artifício. Peneiras de palha, balança, abanadores, doces e mais uma infinidades de outros produtos completam o cenário transformando o pequeno espaço num interessante e colorido emaranhado de memórias.

Vizinho à bodega fica o depósito de mangaios. "Todo sítio que se preza conta com um depósito de mangaios, que é o lugar de guardar absolutamente tudo, o que presta e o que não presta", diz Dantas. Ali encontramos ferramentas, arreios, gibão, uma verdadeira troçada que além de provocar uma interessante sensação visual em quem visita, conta muito da história e dos utensílios do homem do campo através de peças que são marcas registradas do Nordeste brasileiro. Logo depois está a Capelinha de São Pedro, que retrata o forte sentimento religioso do povo simples do interior e a sua devoção aos santos juninos, ligados à fertilidade e à produção.

No Sítio São João o visitante não tem a sensação de estar num museu. É como se a estrutura inteira - incluindo aí as pessoas - tivesse sido retirada de algum ponto do interior paraibano de oitenta anos atrás e transportado para o Parque do Povo. Prova disso é a casa de farinha, instalada no fundo da propriedade e que produz, durante os trinta dias do evento, milhares de quilos de farinha de mandioca.

Mas é na casa de taipa, enfeitada com quadros de santos nas paredes, que a viagem começa de fato. A sala não poderia ser mais típica. Dezenas de santos disputam o espaço na parede amarelada.

Uma antiga sanfona descansa na prateleira de madeira. Vasos de louça e bonecas de pano enfeitam a estante. Tudo extremamente colorido. No quarto, colchões de palhas cobertos com chita dão o ar de raridade ao "museu". O oratório no cantinho da parede, é claro, não poderia faltar. Já na cozinha, um jarrinho de barro guarda a preciosa água, tão valorizada no interior. Pela janela é possível avistar o terreiro com as galinhas. Em cada detalhe, a simplicidade do homem do campo e a beleza singela da vida rural.

(fotos do Paraibaonline e Marcelo Marcos)

 

 

-1º lugar

 

   
 



 

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