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Artesanato :
Festas :
Festival de Inverno
O Maior São João do Mundo
São João e suas Músicas :
Violeiros :
Nau Catarineta
Nomes da Música
:
Dança do Camaleão :
Bacamarteiros
Banda de Pífanos :
Fazenda Santa Roza :
Sítio São João :
Cordel
Pastoril :
Serra da Borborema :
Tropeiros da Borborema :
Teatro
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de João Pessoa :
Museu Histórico :
Fotografia :
Literatura
Artes Plásticas :
Cineastas :
Sociedade :
Quadrilhas
Pastoril
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É fato comprovado pela grande maioria dos estudiosos
que se dedicam às pesquisas em torno das manifestações que expressam,
em sua dramaticidade, o povo brasileiro, a falta de elementos profanos
nas suas origens, principalmente, as nossas danças dramáticas. |
Lembramos, por exemplo,
Gilberto Freyre e Mário de Andrade, quando
são unânimes em afirmarem a origem
religiosa das manifestações artísticas
populares, mesmo que tenham suas bases ou
alimento em fatores econômicos, mas se
considerarmos o sentimento religioso como
permanente e solúvel, sua afirmação se dá
pela mística religiosa, justificando-se
através do mistério qualquer variante de
algum fenômeno vital.
Outra característica
importante salientada por Mário de Andrade em
"Danças Dramáticas do Brasil: na maioria dos
nossos folguedos encontramos a morte e
ressurreição da entidade principal ou como nos
Pastoris e Cheganças, a luta do bem contra o
mal, caracterizando a noção de perigo e
salvação". É claro, entretanto, que nos
Pastoris, originários da Península Ibérica, o
conceito de morte e ressurreição não aparece
de forma contundente mas há no chamado
Pastoril profano, a "luta" entre o cordão azul
e o encarnado, revelando um confronto se
considerarmos o cordão encarnado como o mais
audaz, atrevido, por assim dizer, do que as
pastoras do cordão azul. De qualquer forma foi
a finalidade religiosa que deu a essas danças
dramáticas ou bailados, como diz ainda Mário
de Andrade, "a sua origem primeira e
interessada, a sua razão de ser psicológica e
a sua tradicionalização".
Faz-se necessário frisar que o caráter
religioso dessas manifestações, desses autos,
está cheio de teatralidade - o teatro nasce
com o culto ao deus grego Dioniso - porém "são
os elementos sociais profanos que vão pouco a
pouco tomando importância desmesurada, que
destrói a finalidade religiosa primitiva do
teatro. E esses elementos profanos acabam
imperando sozinhos", como ressalta Mário de
Andrade. Esse fenômeno aconteceu com a
tragédia grega, com o teatro Nô japonês, com
os Mistérios Medievais e com as nossas danças
dramáticas.
Não é demais também verificar que todos os
nossos bailados possuem entrecho dramático,
mesmo sendo texto improvisado - músicas e
danças próprias revelando, por fim, as três
bases étnicas que dão origem ao povo
brasileiro: ameríndia, portuguesa e africana.
Origens
A
origem do Pastoril está também vinculada àquele
teatro religioso semipopular ibérico, já que tanto
na Espanha quanto em Portugal, as datas católicas se
transformaram em festas eclesiásticas e ao mesmo
tempo em festa popular.
Segundo diversos autores, desde tempos muito
antigos até o final do século XVI, são representadas
peças de um ato relativas ao Natal, Reis, Páscoa,
etc., numa mistura de elementos pastorais e
alegóricos, de bailados, textos e canções. Esse
teatro popular se afirmou em Portugal com os
vilhancicos galego-portugueses, fonte primeira dos
nossos pastoris. Os vilhancicos eram cantigas a solo
e refrão coral, cantadas por populares encarnando
pastores, nas representações da Natividade.
O Pastoril, mesmo em suas origens, nunca foi
inteiramente popular mas burguês e sua justificativa
se dá com os Presépios, pois, sistematicamente, os
pastoris eram dançados em frente da lapinha,
representação estática do nascimento do menino
Jesus.
Com poucas diferenças, os estudiosos afirmam
que as comemorações do Natal, a festa da Natividade,
surgiram no início do século X. Conforme comprovam
as pesquisas de Mário de Andrade , "a idéia de
comemorar o nascimento do Cristo, através de
representações dramáticas, foi do monge Tuotilo,
morto em abril de 915, na Abadia de São Galo, centro
germânico onde nasceram, ou donde pelo menos se
espalharam com maior autoridade as Seqüências e os
Tropos". O Tropo consistia em intercalar textos
novos e frases melódicas novas, em textos religiosos
oficiais da Igreja, cantados em gregoriano.
Logo, tanto na França
como na Inglaterra, os tropos dialogados do natal se
desenvolveram rapidamente, transformando-se em
núcleos do drama litúrgico medieval. Dividiam-se em
três partes principais: A anunciação do nascimento
do Cristo aos pastores; a adoração dos três reis
magos; o massacre dos inocentes. Os dois primeiros
temas se conservaram vivos e se desenvolveram com
rapidez por todo o ocidente europeu e Portugal,
através dos jesuítas, que assim repassaram para o
Brasil Colônia.
Presépio
Quanto ao Presépio, diante do qual
tradicionalmente eram dançados os pastoris,
segundo alguns estudiosos, surgiu somente no
século XIII, com o movimento religioso de
Úmbria. A invenção do presepe ou presépio é
atribuída a São Francisco de Assis. Por volta
de 1510, o tema passou a figurar nos autos
hieráticos, como o de Sybilla Cassandra, de
Gil Vicente, em citação de Pereira da Costa.
Já em Portugal, a representação de auto
pastoril ou presépio se afirmou somente no
final do século XVIII, como descreve Mário de
Andrade, citando Pedro Fernandes Tomás: "Os
Auto Pastoris ou o
Presepe como eram conhecidas entre o
povo estas composições teatrais que se exibiam
em muitas localidades do país durante as
festas do Natal, Ano Bom e Reis, constituíram
uma série de pequenos autos e entremeses,
representados na maioria dos casos em palcos
improvisados, cujo cenário se revestia da
maior simplicidade, formado quase sempre por
grandes ramos de árvores (pinheiro, loureiro,
etc.) colocados ao longo das paredes do palco.
Ao fundo da cena via-se a gruta ou lapinha
tradicional com as figuras da Virgem tendo no
regaço o divino infante, São José completando
o grupo.
Via-se também a mangedoura e os animais
simbólicos- a vaca e a mula, e a burrinha em
que a Virgem havia feito a viagem de Nazaré a
Belém. Uma cortina cobria a gruta ou Presepe,
e todas as ingênuas cenas dos autos e
entremeses terminavam por se descerrar a
cortina, e os personagens caírem de joelhos
adorando o Menino... As farsas mais em voga
que entremeavam os Autos Pastoris eram as do
Cego e Moço, o Frade e a Beata, a
Lambisqueira, etc. Uma espécie de prólogo em
que entravam a Noite, a Lua, o Sol, a Atenção
e outras entidades simbólicas, precedia a
representação. No Auto dos Reis Magos também
aparecia Herodes, rei da Judéia, que ordenava
o extermínio dos Inocentes, indiferente às
súplicas da desolada Raquel... Estas
composições parecem datar do século XVIII, e
conservam-se na sua grande parte manuscritas".
No Brasil e mais precisamente em Pernambuco,
segundo Pereira da Costa, o aparecimento do
presépio vem, talvez, dos fins do século XVI,
no Convento dos Franciscanos em Olinda, por
iniciativa de Frei Gaspar de Santo Antônio,
primeiro religioso a receber hábito no Brasil.
Já Fernão Cardim, o Jesuíta, nos dá uma
indicação em que talvez possamos detectar as
origens do Pastoril brasileiro, por conta de
uma representação em 1584, no dia 5 de janeiro
ou no dia dos Reis, como consta num documento,
também citado por Mário de Andrade em Danças
Dramáticas do Brasil - 1º Tomo:
"Debaixo da ramada se representou pelos índios
um diálogo pastoril, em língua brasílica,
portuguesa e castelhana, e têm eles muita
graça em falar línguas peregrinas, maximé a
castelhana. Houve boa música de vozes, flauta,
danças, e dali em procissão fomos até a igreja
com várias invenções".
O
PASTORIL EM PERNAMBUCO
É curioso observar que nos séculos XVII e
XVIII, os estudiosos não encontram
referências importantes sobre o pastoril
na Colônia mas já no século XIX, concordam
que houve abundância dos bailes pastoris,
principalmente no Nordeste e notadamente,
em Pernambuco e na Bahia, com publicações
de textos, a exemplo de Sylvio Romero e
Pereira da Costa.
Para Mário de Andrade, é curioso observar
que essa dança dramática não teve uma
repercussão nacional (apenas no período
oitocentista o pastoril teve seu brilho e
apogeu), diferente dos presépios que se
tornaram tradição em todo o país, talvez,
como ele afirma, por ser um fenômeno de
imposição burguesa. Assim no Recife e nas
outras cidades do Nordeste, em frente aos
presépios ou lapinhas, as pastoras
cantavam loas, tornando o presépio não só
forma animada, mas dramática, ao lado da
representação estática da Natividade. Fica
evidente que a dramatização do tema,
permitia uma fácil compreensão em torno do
episódio do nascimento do Cristo. Desta
forma, a cena tomava vida, com a
introdução de recursos visuais e sonoros.
Para Hermilo Borba Filho, essa
dramatização traz a influência do auto
sacramental espanhol, na sua forma
literária.
Profano-religioso
Ao enveredar por outros caminhos, o Auto
Pastoril transforma-se em sincretismo
profano-religioso, tornando-se, muitas
vezes, em profano, com suas
características que ressaltam a
licenciosidade do Velho do Pastoril e a
sensualidade das Pastoras.
No Recife, por volta de 1840, começaram a
aparecer sociedades com o fim de dirigir
com solenidade, brilhantismo e decência o
natalício do Messias, por meio de
representações teatrais, tais como a
Sociedade Natalense e a Sociedade Nova
Pastoril, conforme registra Pereira da
Costa. Com a formação dessas sociedades,
os pastoris passaram a ter uma forma
literária, de modo que transformavam-se em
espetáculos, contando com poetas,
escritores e artistas que criavam letras e
músicas. Dentre tantos que contribuíram
nesse período, há que se destacar os
irmãos Valença - João e Raul que
apresentavam, quase todos os anos, um
Presépio, assemelhado com os autos
hieráticos oitocentistas.
Ascenso Ferreira
revela que, no Recife, o avô de João e
Raul Valença encenou, pela primeira vez,
um Presépio em 1865, no auge da Guerra do
Paraguai. A tradição foi mantida até 1900
pelo pai dos dois irmãos compositores já
citados, que após alguns anos de
interrupção, assumiram a volta ao tablado
do Presépio, no Sítio Valença, localizado
entre a Madalena e o Zumbi, com as mesmas
características de auto sacramental. Os
personagens utilizados pelos irmãos
Valença eram: Culpa, Libertina, Religião,
Graça, Gabriel, Pastoras, Lusbel, Mestra,
Diana, Contra-mestra, Eva, Argemiro,
Monge, Flora, Herodes, Centurião e Cingo.
Fica claro também que, enquanto as
sociedades tentavam manter um controle
moral e religioso, evitando enxertos de
cenas burlescas e licenciosas, os Pastoris
ditos profanos abundavam nas pontas de
ruas, alterados em suas formas originais,
contando com a participação dos
espectadores na animação das cenas,
fugindo do enredo e da temática e, como
diziam os mais arredios, irreverentes,
licenciosos e imorais.
Os esforços das
sociedades para manterem a seriedade do
ato sagrado que se pretendia reproduzir,
repercutia também na imprensa: os jornais
da época censuravam o ar indecente de que
se revestiam certos presépios, com
opiniões que indicavam que a Polícia devia
impedir as apresentações, no zelo pela
moral pública e pelos bons costumes. Há
registros, de 1840, dessas denúncias, por
exemplo, no jornal O Carapuceiro, do Frei
Miguel do Sacramento Lopes Gama, conhecido
como o Padre Carapuceiro e por suas
críticas de costumes na primeira metade do
século XIX.
É certo que o Pastoril teve seu grande
momento nos primeiros vinte e cinco anos
desse século, sendo representado por
iniciativa de leigos mas sem perder sua
ligação com festas religiosas,
principalmente, como já foi dito, do Ciclo
Natalino. Por outro lado, os Presépios
sempre foram encenados por jovens e
meninas de família, que paramentadas
de pastoras angariavam prendas, como
flores, bolos, perfumes, frutas, que se
transformavam em prêmios dos leilões
realizados em benefícios de instituições
religiosas ou obras de caridade.
A partir de então os pastoris se
espalharam pelos bairros atraindo sempre
um público certo e participativo e,
evidentemente que, com mais
licenciosidade, atraíam os homens. Dentro
da estrutura do auto, as pastoras com seus
pandeiros ou maracás, cantam e dançam ao
som da orquestra de pau e corda mas sua
formação dependia dos recursos financeiros
do grupo. Algumas traziam pistão,
trombone, clarinete, bombo. Outras se
apresentavam com violões, cavaquinhos, com
um instrumento de sopro solista.
No meio dos dois cordões, cada um
comandado pela Mestra (cordão azul) e
Contramestra (cordão encarnado),
encontramos a Diana, vestida metade
azul, metade encarnado. O Velho,
conhecido como Bedegueba, mas que toma
diversos apelidos é uma espécie de
bufão, de palhaço de circo, que
comanda as jornadas (cantos das
pastoras) e se esparrama em piadas,
numa atuação que ressalta o
histrionismo, a improvisação. Seus
diálogos com as pastoras são cheios de
duplo sentido e, com o público, puxa
discussão, brincadeiras, faz trejeitos
e canta canções adaptadas às suas
necessidades.Dentre os outros
personagens do pastoril profano,
também desfilavam o Anjo a Estrela do
Norte, o Cruzeiro do Sul, a Cigana,
além de outras figuras que aparecem
ocasionalmente por influência do
local, da região.
Hoje o pastoril perdeu em sentido
hierático e lírico, mas transformou-se
num gênero popular de representação,
diferenciado e que atingiu sua própria
forma. Não é questão de involução mas
de interferência dos artistas
populares que com os seus espíritos
inquietos e brincantes conduzem esses
folguedos.
As jornadas
Nos presépios que mantém vinculação à
tradição natalina, encontramos nas
jornadas fortes alusões ao nascimento de
Jesus:
Da
cepa nasceu a rama
Da rama nasceu a flor,
E da flor nasceu Maria
Mãe de Nosso Senhor.
ou ainda nas jornadas finais, que fazem
parte da chamada queima da lapinha,
ressalta-se também, o aspecto hierático da
canção, quando as pastoras cantam:
Vamos
companheiras, vamos,
Vamos a Belém,
Para queimar as palhinhas
Onde nasceu nosso bem.
A queima da lapinha acontecia, quase
sempre no Dia de Reis, quando as famílias
recebiam convidados para na hora
tradicional - meia noite - levarem toda a
folhagem seca que ornamentava a lapinha
para ser queimada na porta da Igreja. Os
participantes faziam uma roda e girando em
volta do fogo cantavam a jornada própria:
A nossa lapinha
Já vai se queimar
E nós, pastorinhas,
Devemos chorar.
Queimemos, queimemos,
A nossa lapinha,
De cravos, de rosas,
De belas florinhas
Queimemos, queimemos,
Gentis pastorinhas,
As secas palhinhas,
Da nossa lapinha...
Era o momento de
jogar os pedidos dirigidos ao Menino
Jesus, escritos anteriormente. Em seguida
todos voltavam para casa, onde os esperava
uma mesa farta e a brincadeira continuava.
Já no pastoril dito profano, só as
jornadas iniciais e finais referem-se ao
nascimento de Jesus. Mas nem sempre.
Dentre as inúmeras versões das jornadas de
aberturas, ainda hoje são cantadas assim:
Boa-noite, meus senhores todos
Boa-noite, senhoras também;
Somos pastoras
Pastorinhas belas
Que alegremente
Vamos a Belém.
Sou a Mestra
Do Cordão encarnado
O meu cordão
Eu sei dominar
Eu peço palmas
Peço riso e flores
Ao partidário
Eu peço proteção.
Sou a contramestra
Do cordão azul
O meu partido
Eu sei dominar
Com minhas danças
Minhas cantorias
Senhores todos
Queiram desculpar
A Diana, enquanto
mediadora, cantava:
Sou a
Diana, não tenho partido
O meu partido são os dois cordões,
Eu peço palmas, fitas e flores
Ó meus senhores, sua proteção.
É importante
salientar que as canções dançadas
sucediam-se uma após a outra, sem qualquer
diálogo ou texto de ligação entre eles, a
não ser quando o velho do pastoril
interferia com suas improvisações para
estimular o público e receber gorjetas
para lançar, com deboche, suas
irreverências.
Como espetáculo popular, o pastoril perdeu
muito de sua popularidade, e hoje
encontramos poucos grupos que ainda animam
os bairros nos tablados armados na praça,
ou como dizem: "não há mais pastoril de
ponta-de-rua", com sua alegria
irreverente. E naturalmente, perdeu sua
função social. E perdemos verdadeiros
atores mambembes, sendo justo lembrar os
grandes velhos de pastoris, tais como:
Amaro Canela de Aço, Catota, Galo Velho,
Cebola, Baú, Velho Barroso, Futrica e o
Faceta.
Mas, ainda que os fenômenos econômicos e
sociais tenham interferido para a
decadência dos pastoris, é bom lembrar a
resistência do Velho Xaveco e Suas
Pastoras, lançando discos e realizando
espetáculos em teatros ou a recriação do
ator Walmir Chagas, com o seu Velho
Mangaba.
O AUTO
O auto conta a história das
pastoras a caminho de Belém, onde
nasceu Jesus. Lusbel lança mão de
muitas artimanhas para desviá-las do
caminho e só não consegue o seu
intento graças às interferências de
São Gabriel. Frustrado, Satanás
convence Herodes a promover a degola
dos inocentes, mas este é castigado
porque os soldados matam o seu filho.
Herodes se arrepende e é salvo,
enquanto o Demônio é mais uma vez
derrotado.
O auto é escrito em versos e musicado,
com um prólogo, dois atos e um
epílogo. As características são as
mesmas de um auto sacramental, como já
foi dito anteriormente. A comicidade,
uma das características mais fortes
dos espetáculos populares do Nordeste,
aos poucos também foi aparecendo no
Pastoril. Talvez para atrair um maior
público e deixando os autores com mais
liberdade de criação, como disse
Hermilo Borba Filho. Com as pastoras
divididas em dois cordões, azul e
encarnado, possibilitou a formação de
partidos que se batiam pelas cores de
suas preferências e muitas vezes
terminava em pancadaria. O leilão
também despertava entusiasmo e quando
o pastoril saiu do amadorismo para um
certo profissionalismo acentuou-se a
sensualidade e sexualidade e era comum
um pastoril terminar com o rapto da
Mestra, Contramestra ou da Diana.
Fonte:
http://www.recife.pe.gov.br/especiais/brincantes/8a.html
......................................................
Cultura popular da Paraíba vira produto de
exportação
André de Sena - Correio da paraíba
Uma
parceria entre o Banco Mundial, o Governo do Estado
da Paraíba e a ONG Ascusa, deu origem ao primeiro CD
e DVD do reisado do município de Zabelê, no Cariri
paraibano, que existe desde 1919. A produção do DVD
e do CD foi assinada pelo etnomusicólogo Romério
Zeferino, que há vários anos pesquisa as
manifestações culturais do interior paraibano.
Uma
das manifestações mais autênticas da cultura
folclórica paraibana, o Reisado de Zabelê terá sua
obra conhecida em todo mundo agora, por conta da
divulgação e apoio do Banco Mundial, também
responsável pelo lançamento do primeiro CD da
cantora Sandra Belê, outra artista de Zabelê que
está mostrando seu trabalho para o mundo. Daqui há
dois meses, ela irá fazer uma apresentação na sede
do Banco Mundial, em Washington, EUA.
O
Reisado teve início na localidade a partir da grande
devoção ao Padre Cícero. A história começou em 1919
com a iniciativa do Senhor Manoel Venceslau - mais
conhecido como Manoel João - que era praticante do
Reisado na cidade de União dos Palmares em Alagoas.
Certa vez Manoel João teve sua perna furada por um
pau de caatinga branca. Incomodado com a demora de
sua recuperação fez uma promessa ao Padre Cícero
para receber a Graça da cura. Quando foi enfim
alcançada, seu Manoel João fez uma Romaria a
Juazeiro do Norte, estado do Ceará. De regresso à
sua cidade, ao passar em Zabelê, resolveu
instalar-se. Constituiu uma família, casando-se com
Maria das Dores da Conceição, filha de Manoel
Martins. A partir deste momento teve início o
Reisado em Zabelê.
Os
movimentos do Reisado ocorrem em andamentos binários
e ternários. Conforme o ritmo da cantiga, os
dançarinos desenvolvem passos diversos e fazem
movimentos contrários entre si em duas filas
paralelas onde fica situado o Mestre do Reisado. O
Mestre tem a função de coordenar a dança.
Comunidade
“Um
dos fatores mais importantes do Reisado é a alegria
que proporciona aos seus membros. Traz uma vontade
de viver, de mostrar para os seus filhos e
descendentes uma ligação profunda com as coisas da
terra, da comunidade. Incentivá-los a continuar
brincando, cantando e sonhando é dever de todos que
pensam em uma sociedade mais justa com as nossas
tradições, com os nossos idosos. E isto é feito
quando o grupo é convidado para apresentações,
palestras, passeios ou visitado por diversos grupos
da sociedade”, como atesta Sérgio Nascimento, um dos
coordenadores do Reisado de Zabelê.
Fazem parte ainda do elenco as figuras do Rei e da
Rainha, do Mestre e do Contra-Mestre, dos
Embaixadores, do Médico, do Boi, do Jaraguá, dos
Mateus, da Burrinha, dos Soldados e outros membros
secundários, todos com indumentárias e funções
próprias ao evento. Em geral as indumentárias têm
como base a cor azul (com calças e saias brancas,
enfeitadas com miçangas, espelhos, fitas de diversas
cores, coroas que representam a Igreja do
Município), máscaras, botinas e sapatilhas.
Os
instrumentos musicais utilizados são o cavaquinho,
alguns maracás, um violão, uma caixa e um bombo.
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