Fotografia
Walfredo: fotógrafo e cineasta
por Arion
Farias -
Jornal O Norte
Walfredo Rodriguez foi o fotógrafo do século XX na
Paraíba. Foi o maior dos seus memorialistas,
profundo conhecedor das coisas ligadas à cultura e à
arte de sua terra, no dizer do professor Alex
Santos, no livro Walfredo Rodriguez e a Cultura
Paraibana, um antiquário do espírito.
Walfredo nasceu em 1894 e morreu em 1974, filho do
espanhol capitão da milícia Antonio Emiliano
Pereira, patente ofertada pelo El Rey. Esse mesmo
capitão foi o arrendatário do Botequim do Teatro
Santa Roza, em 1902, quando Walfredo tinha 6 anos;
inclusive conviveu com a arte e a cultura.
Viveu até o final do século passado e conviveu com
as cacimbas de banho, e ao meio- dia saía com a
saboneteira niquelada e a toalha a tomar banho de
cuia nas cacimbas, a um vintém o banho. Conheceu a
"Cacimba do Povo", dos "Milagres", de boa água para
cura de pedras nos rins; da "Bica do Gravatá, na Rua
das Convertidas, que já foi do Comércio, Conde D´Eu
e hoje Maciel Pinheiro, bebeu água da Fonte do
Tambiá, quando a inexistência do líquido encanado.
Andou de bonde, a burro, no início do século 20,
participou, documentou e comentou o desenvolvimento
tecnológico das necessidades evolutivas da sociedade
de consumo.
Participou da inauguração da chegada da energia
elétrica, dos bondes, conviveu com a iluminação da
cidade, com iluminação à gás, de querosene e a
carbureto.
O
escritor Alex Santos acompanhou e pesquisou a vida
de Walfredo. Considerando-se que Walfredo fotografou
e coletou farto material fotográfico, do seu pai e
de outros, fotografou o desenvolvimento urbano da
Capital; e parte deste material, após sua morte, o
seu filho, José de Nazareth, juntamente com o famoso
fotógrafo Gilberto Stuckert, em 1972, reproduziu
dezenas destas fotos e publicaram um álbum; e depois
da sua morte, seu filho, Gilberto Stuckert Filho
(Betinho), preservou este rico material, juntamente
com outros do seu pai e publicou um livro com as
ilustrações de ambos, que é um verdadeiro
repositório do nosso passado. Inclusive, a primeira
edição foi esgotada e já uma segunda foi editada. É
necessário que todos tenhamos a visão do Betinho
Stuckert.
Outra forma de expressão cultural de Walfredo foi o
cinema, onde iniciou sua experiência, no Rio de
Janeiro, na década de vinte, como cinegrafista de
cine-jornal, convidado por um português, Antonio
Barradas, aprendeu e reaplicou as suas experiências
de fotógrafo herdadas de seu pai.
Voltou à Paraíba, com mais experiência, adquiriu uma
câmera de marca Urbam, de 35 mm, filmando
documentário pelo interior do Estado; conseguiu
documentar a vida social da Capital, assim como os
carnavais da Paraíba e de Pernambuco de l923, com
oitenta minutos de duração, esse filme chegou a ser
exibido no Rio de Janeiro e nesta Capital, nos cines
Rio Branco e Filipéia.
De
acordo com Linduarte Noronha, Waldemar Duarte e Alex
Santos, a obra mais importante de Walfredo foi o
filme Sob o Céu Nordestino, rodado em 1924-1928. O
mais interessante era que Walfredo revelava seus
próprios filmes em negativo, fazia o copião, tudo de
uma forma artesanal e tinha sucesso.
Escreveu vários livros e dentre eles: Roteiro
Sentimental de uma Cidade, e História do Teatro
Paraibano. A obra de Walfredo é a história da cidade. Seus netos e bisneto também preservam
as imagens a semelhança de Betinho Stuckert.