Literatura nordestina*
Ariano Suassuna,
escritor
Ariano Suassuna é,
sobretudo, um provocador de idéias que condiciona,
favorece e busca através de suas reflexões e
inquietudes literárias, lúdicas e existências, o
sentimento de revalorização da cultura nacional. Os
toques surreais de sua literatura mostram um homem
que busca um Brasil enraizado nos saberes
intrínsecos da arte popular, das origens, da região
onde vive. Nascido em João Pessoa, Ariano começou
suas primeiras experiências como teatrólogo, em
1946, fazendo parte do Teatro do Estudante de
Pernambuco.
“Uma Mulher Vestida de Sol” foi a sua
primeira peça, escrita em 1947. Como escritor, em “O
Auto da Compadecida”, lançada em 1955, Ariano
incorpora em sua obra categorias malditas nos
padrões da sociedade: os loucos (imaginativos,
ingênuos, honestos e sábios) e os mentirosos (que
mentem pelo prazer de contar uma história, pela
magia do desnovelar de uma fábula).
Ascendino Leite,
escritor
O romancista consagrado nacionalmente em obras como
“A Prisão”, “O Brasileiro”, “A Viúva Branca”, “O
Salto Mortal”, só publicou suas poesias depois dos
80 anos de idade. Em 1999, lançou “Poesias Reunidas”
que é a reunião de suas quatro obras poéticas:
“Jardim Marítimo”, “Visões do Vate”, “Os Juízes” e
“O Nariz de Cíntia”. Considerado pela crítica como
uma personalidade de opinião conservadora, Ascendino
Leite exalta a obra do escritor João Cabral de Melo
Neto como sendo de grande importância para a
literatura brasileira. Sua vida profissional foi
mais voltada para o jornalismo político, começando
sua carreira aos 17 anos, no Jornal O Norte. Nesse
período criou ensaios dos famosos volumes do Jornal
Literário. Foi um dos principais expoentes do novo
jornalismo implantado na imprensa brasileira a
partir dos anos de 1950. Ajudou a reformar o Jornal
do Brasil.
Bráulio Tavares,
escritor
Bráulio Tavares trafega com facilidade entre
diferentes gêneros, como o conto, poesia, cordel,
romance, mas é pela Literatura Fantástica que o
escritor se sente atraído para fazer com que o
impossível aconteça. Com o livro de contos “A
Espinha Dorsal da Memória”, em 1989, conquistou o
Prêmio Caminho de Ficção Científica (Portugal).
Natural de Campina Grande, Bráulio Fernandes Tavares
Neto nasceu em 1950 e está radicado desde o início
da década de 80 no Rio de Janeiro. O artista é autor
da polêmica música “Nordeste Independente” (parceria
com o repentista Ivanildo Vilanova). É um incansável
pesquisador sobre cordel e escreveu alguns livros
sobre o gênero. Quando está na Paraíba, gravita
entre Campina Grande e João Pessoa distribuindo sua
paixão pela cultura nordestina.
José Américo,
escritor
Em meio a toda efervescência da Semana de Arte
Moderna de 1922, o paraibano José Américo de
Almeida, que tinha como característica a autocensura,
conclui a obra “A Bagaceira”, que difundiu por todo
o Brasil o regionalismo moderno se tornando um marco
da literatura nacional. O sucesso da obra foi tanto,
que no ano do lançamento (1928) ela teve quatro
edições. A primeira obra de José Américo foi um
livro de fábulas intitulado “Reflexões de uma
cabra”. Depois, por encomenda do governador Solon de
Lucena, escreve “A Paraíba e Seus Problemas” , que
mesmo depois de tantos anos ainda continua atual .
“A Bagaceira” foi a terceira obra desse autor que,
por conta de seu perfeccionismo, alterava
constantemente os seus livros, às vezes até
retardando os lançamentos . Essa obra é tão
importante para a literatura brasileira que já foram
publicadas mais de 30 edições, só em português .
Tendo sido governador da Paraíba e exercido forte
influência na política nacional, desde a Revolução
de 1930, José Américo passou seus últimos anos de
vida em um solar na Praia de Cabo Branco,
transformada, após seu falecimento, num dos mais
influentes órgãos históricos da cidade e do Estado,
a Fundação Casa de José Américo.
José Lins do Rego,
escritor
José Lins do Rego é considerado o grande responsável
pela consagração da Paraíba na literatura nacional.
Ele foi um dos fundadores do neo-realismo no romance
pós-moderno e traz em sua obra aspectos econômicos,
sociais e culturais presentes nas instituições
rurais nordestinas. O escritor abordou como ninguém
a decadência dos grandes engenhos e o contraste do
sistema patriarcal com a miséria das senzalas e da
vida rural dos nordestinos. José Lins tem muitos
entusiastas de sua obra espalhados por todo o mundo,
entre eles o sociólogo Gilberto Freyre que definiu o
escritor como “o grande romancista que o Norte deu
ao Brasil”. A obra de Zé Lins é vasta, com destaque
para “Menino de Engenho”, “Moleque Ricardo”,
“Bangüê”, “F ogo Morto” e “Riacho Doce”. As obras
desse paraibano estão presentes no imaginário do
povo brasileiro, pois muitas delas foram adaptadas
para o cinema e a televisão. O Museu José Lins do
Rego (no Espaço Cultural que também leva seu nome,
em João Pessoa) abriga os principais livros, objetos
e documentos do escritor, doados pela família à sua
terra natal.
José Rodrigues de Carvalho,
folclorista
Nascido em Alagoinha, Estado da Paraíba, em 18 de
dezembro de 1867, Rodrigues de Carvalho é autor de
uma das obras mais importantes do folclore
brasileiro, “Cancioneiro do Norte”, que teve duas
edições publicadas, uma em Fortaleza (1903) e a
outra na Paraíba (1928). Nesta, Rodrigues Carvalho
faz uma análise não só do folclore brasileiro, mas
vai explicando diferentes manifestações, como
orações, festejos de São João, literatura infantil,
diferentes danças dramáticas, como os caboclinhos,
manifestações do carnaval de rua etc. Outro aspecto
abordado pelo autor nessa obra é quando se refere
aos cantadores, mostrando a importância do gênero.
Partes de suas pesquisas foram realizadas na capital
paraibana.
Leandro Gomes de Barros,
poeta
Em 1868, nasce na cidade de Pombal, Leandro Gomes de
Barros, paraibano que viveu exclusivamente de
escrever versos populares, inventando desafios entre
cantadores, arquitetando romances, narrando
aventuras de Antônio Silvino, comentando fatos,
fazendo sátiras. Publicou cerca de mil folhetos,
sendo considerado o fundador da popular “literatura
de cordel”. Seus principais trabalhos foram
“História de Alonso e Marina, Rosa e Lino de
Alencar”, “Os Sofrimentos de Alzira”, “O Príncipe e
a Fada” e “A Filha do Pescador”, entre outros. O
poeta popular era dono de um estilo próprio,
agressivo, irônico, ferino, usando imagens como
ninguém na defesa do povo e suas causas.
Lúcio Lins,
poeta
O poeta Lúcio Lins, falecido em abril deste ano,
depois de uma intensa luta contra o câncer, marcou o
meio artístico paraibano por sua obra literária,
parcerias musicais e principalmente por sua
simplicidade, colecionando amigos e admiradores.
Paraibano de João Pessoa começou a carreira
publicando poemas em jornais, incorporou-se ao grupo
“Jaguaribe Carne” e na década de 1990 integrou a
revista Ler. É autor dos livros “ Lado que
Cavas/Que Covas”, “As Lãs da Insônia”, “ Perdidos
Astrolábios” e “ História Flutuante”. Lúcio Lins
faleceu este ano, mas nunca vai perder o titulo de
“poeta do mar”, das imagens exatas e metáforicas
colhidas em noites de boemia, características
imortalizadas em suas obras.
Políbio Alves,
poeta
O poeta e escritor paraibano Políbio Alves tem em
sua obra os elementos de universalidade humana,
quando configuram as paixões, anjos e demônios e as
rememorações culturais do poeta. Radicou-se ainda
jovem no Rio de Janeiro, mas toda sua obra, premiada
nacionalmente desde a década de 1950 é dedicada ao
bairro do Varadouro, berço urbano de João Pessoa. Em
fevereiro de 2000, o escritor fez sua quinta viagem
a Cuba, para participar do Festival Del Proyecto
Cultural Sur, e deu grandes passos para
finalizar seu livro “A Leste dos Homens”. Esta obra
é uma comparação do bairro pessoense com Havana
Velha, na capital cubana. É a história do que
aconteceu no Varadouro dos anos 1960/70 (durante o
regime militar no Brasil). É um dos intelectuais
mais respeitados da cidade.
Sérgio de Castro Pinto,
poeta
Sérgio de Castro Pinto é remanescente do Sanhauá,
grupo de poetas, que na década de 1960 buscava
firmar uma expressão sintonizada com as vanguardas
da produção poética brasileira, com grande
influência das poesias de João Cabral de Melo Neto.
Sua criação é centralizada nos caminhos intrínsecos
do ser e se processa através de um olhar inaugural,
sobre as coisas que giram ao seu redor. O poeta tem
cinco livros de poesias publicados, dentre eles
“Gestos Lúcidos”, “A Ilha na Ostra” e “Domicílio em
Trânsito”.
*Obs.: transcrito do
Portal da Prefeitura Municipal de João Pessoa